Já vamos começar tirando o efalante da sala: não dá!!!!

Efalantes esclarecidos, continuemos.
É muita fala de coach e vídeos curtos na internet de pessoas que nunca vimos na vida falando sobre a suposta possibilidade de extinguir os medos de exposição – que grande FALÁCIA!
Eu, euzinha, acho que o medo de ser artista – de qualquer gênero – tem muita razão de ser.
Arte é exposição pura, um corte aberto. É a exibição de uma habilidade que não tem critérios fielmente estabelecidos – como, por exemplo, uma equação matemática, que a gente consegue checar se está correta antes de mostrar para os outros.
Entre as artes, além de tudo, algumas ainda fogem do abstrato e falam com todas as palavras OI EU SOU ESSA PESSOA E ESTOU SENTINDO ESSA COISA HORRÍVEL! SABE?
E você joga no mundo e espera que alguém saiba mesmo.
E se contorce no sofá até saber se outro alguém sabe. Sabe?
Tomara.
Se expor é um negócio sério mesmo. Se expor artisticamente, então? Ainda mais. Você já leu aquela frase que diz que a gente não reconhece coragem porque o sentimento da coragem é o mesmo do mesmo? Pois é.
O negócio é esse: artistas se colocam no mundo. Não porque não sentem medo – meu Deus, eles sentem! – mas porque eles têm um desejo maior que o medo.
Então não importa se você está bambeando os joelhos, se pensa em colocar um saco de pão na cabeça, se acha que vai começar a falar tudo embolado ou que ninguém vai te entender. A pergunta que importa mesmo é: você quer?



